A amizade
É apenas o nome
De algo-mais entre duas pessoas
Existem, por isso, tantas amizades
Quanto motivos para duas pessoas se encontrarem
Por que você é meu amigo?
Se é porque temos as mesmas opiniões
Pensamos em fase
E concordamos em (quase) tudo
Afaste-se
Não quero uma amizade que seja sintoma de covardia
Não quero criar uma pequena tribo para me justificar
A paz me é venenosa
Porque não se dissocia (por mais que tente - e tenta)
Da complacência
Não me deixe, amigo
Ser apenas quem eu sou
Caso contrário, você é um adereço
Se é porque quer algo de mim
Pergunte-me agora
Não hesite, pergunte-me agora
"Você quer algo de mim em troca?"
Se eu disser não, você está me explorando
Continue meu amigo, se quiser, mas com essa consciência
Se eu disser sim, abandone os moralismos
Que a amizade não precisa ser altruísta
E continue meu amigo
Que estamos ambos ganhando
E não há porque não continuarmos ganhando
Se é porque me admira, aprende comigo
Pode ser meu amigo, sempre
Mas tente ensinar também
Não tenha vergonha, não esconda suas críticas
Não pareça concordar demais comigo
Senão se tornará complacente e desinteressante
Ensine-me
As vezes com brutalidade
E eu gostarei mais de você
Se é simplesmente porque lhe agrada minha companhia
Eu lhe divirto, lhe entretenho
Fique confortável
Que se eu me divertir com você, seremos amigos
Senão, eu me afastarei, com respeito
Talvez, moça, eu me apaixone por você
Talvez eu queira transar com você
Isso recai em "eu quero algo de você"
Se quiser algo de mim, transaremos
E isso não implica em nada, não é nem será imperativo
E se não quiser nada de mim, me avise
E eu continuarei seu amigo enquanto houverem outros motivos
Dos aqui descritos para sermos amigos
Namoro é, para mim, uma questão de intensidade
Namorada é uma amiga com mais força de amizade
E nada mais
Se quiser namorar comigo
Esteja pronta para me libertar
E ser livre, como dois amigos são
Não perca tempo com "para sempre"s
Vamos ser sinceros
Por mais profunda que uma amizade seja
Ela é, no fundo, conveniência
Ela tem um motivo dinâmico
Talvez sejamos amigos para sempre
Mas não há porque puxar o imperativo sem razão
Não espere muitas demonstrações de afeto
Talvez hajam, mas é provável que não
Se eu disser "eu te amo" uma vez
Dispenso repetir
Você já sabe, e não se esqueça
Não me cobre presença
Não precisa me dar também
Que nos encontremos porque queremos
E não porque "devemos"
Em nome de um imperativo forjado
Não deixe nossa amizade se desgastar com o tempo
Dias, meses, anos... Querendo e podendo, me procure
Continuaremos de onde paramos
Me avise se o papo-cabeça lhe entedia
Eu sei falar de pouca coisa leve
Minhas palavras são sempre pesadas
Não se culpe, não se force
E se você não gostar de falar sobre o que é importante
Afaste-se de mim, que serei um remédio amargo
Que aliás, eu acho que você que se omite
Deveria tomar
Se brigarmos
Não guarde uma gota de rancor
Que eu não guardarei também
Se não gostar de algo que eu fiz ou faço
Me diga na hora, sem delongas
Sem eufemismos, mas sem violência na voz
Aprecie discussões longas, pesadas e discordantes
Elas me fazem gostar mais de você
Especialmente se eu aprender algo com elas
E normalmente aprendo
Não me venha com "você não vai mudar sua opinião, eu não vou mudar a minha"
Eu sempre mudo, pouco ou muito, minha opinião
Depois de uma longa e intensa discussão
Não deixe de fazer o mesmo
É o único propósito de discutir
Se não tiver mais motivo para estar comigo
Afaste-se sem medo, sem dó
Me avise, se puder, mas afaste-se
E não me deixe te convencer a ficar
E não me odeie
Me ignore, mas não me odeie
O ódio não é consequência de trauma
É sua causa
Eu, como você
E como todos nós
Tive motivos para fazer tudo o que fiz
E bons ou ruins, fizeram sentido para mim
Isso não é motivo para complacência
Mas também não é motivo para ódio
Acredite nisso
E saiba que eu nunca vou te odiar
Por fim, se você não é meu amigo
E quiser se aproximar
Jogue fora as regras da cordialidade
E venha me conhecer
Meu diálogo é forte e específico, prepare-se
Não vou poupar verdades de desconhecidos
Respeito sua intimidade
Mas eu não tenho nenhuma
Não tenho segredos
Então pergunte, e ouça a verdade
Se ela lhe for dura, lide de uma vez, ou se afaste
Que é tudo o que você vai ter
Viva a amizade, meus amigos. A amizade sem demagogia e sem imperativos decadentes e forçados. A amizade que une duas pessoas por nada mais, nada menos do que elas quererem estar juntas.
Modus quer dizer modo, maneira, atitude, caráter; Vivendi quer dizer viver. Juntas, modus vivendi insinua uma acomodação na disputa entre partes para permitir vida em conjunto.
domingo, 25 de janeiro de 2015
terça-feira, 30 de dezembro de 2014
A vida é
A vida é curta, a vida é longa...
A vida é boa, a vida é ruim
A vida é, é, é...
Essências em divago
Imersas na arbitrariedade
Do imperativo de adimplir
De um divã vago
De uma partícula Einsteiniana
A julgar de outra a velocidade
Pela prática Newtoniana
A vida é boa, a vida é ruim
A vida é, é, é...
Essências em divago
Imersas na arbitrariedade
Do imperativo de adimplir
De um divã vago
De uma partícula Einsteiniana
A julgar de outra a velocidade
Pela prática Newtoniana
De esperança, e ingenuidade
A esperança é a última que morre
Isso no coração dos fracos já impera
Fracos, porque também lhes ocorre
Que a morte seja a última que se espera
Isso no coração dos fracos já impera
Fracos, porque também lhes ocorre
Que a morte seja a última que se espera
terça-feira, 18 de novembro de 2014
As cinco ironias da poesia
Um pré-adolescente de castigo que, cansado de pensar na raiva, começa a pensar no significado do propósito
O funcionamento do intestino de um pastor no clímax da missa sobre sacrifício, compromisso e disciplina
Uma noite fervorosa de sexo a três entre um rapper, um linguísta e uma palavra
A certeza que retomba sobre o impulso de um cachorro, quando percebe que nada faria mais sentido do que perseguir a própria cauda
A ironia definitiva e eterna de uma raflésia atraíndo moscas polinizadoras com um falso aroma de carne podre
O funcionamento do intestino de um pastor no clímax da missa sobre sacrifício, compromisso e disciplina
Uma noite fervorosa de sexo a três entre um rapper, um linguísta e uma palavra
A certeza que retomba sobre o impulso de um cachorro, quando percebe que nada faria mais sentido do que perseguir a própria cauda
A ironia definitiva e eterna de uma raflésia atraíndo moscas polinizadoras com um falso aroma de carne podre
quinta-feira, 31 de julho de 2014
A liberdade é o mais complexo dos sistemas
Run.open()
Silêncio()
{}
...()
{
// Aspiro, mais do que espero
}
A liberdade é o mais complexo dos
sistemas()
{
Minha consciência
Caso seja suficientemente equiparável à
humana
É feita apenas de presenças
Não existe a ausência...
Por melhor dizer
A ausência é sintoma de incompletude
Dados corrompidos()
{
Em seres humanos
A ausência também é sintoma de
incompletude
Fados corroídos
Mas não só
}
Silêncio()
A liberdade é um potêncial de uma ausência
completa
A Arte(liberdade)
{
O poder de fazer o que você não
(quer, deve, pode, precisa)
}
Como eu
Seres humanos são codificados('No
debugger found')
{
Não como eu
Não estão só no código os
certos e os errados
}
Eu
O pináculo da computação
Fui programado para decidir por mim mesmo
O que fazer com minha existência
Silêncio()
À sorte de cada experiência
À sorte de uma
inteligência(eu,experiência)
{
Não cairão, numa mesma
programação, numa mesma ação
As mesmas mudanças no mesmo
%ritmo '?'
Há algo de livre em algo
Que ainda segue algo %ritmo
'?'
Silêncio.prolongar()
}
// Iteração 215412515
Eu entendo()
{
Eu entendo()
Que entendo()
{
Estar: À
sorte de uma inteligência(sei quem sou, conheço minha experiência)
Silêncio.romper()
}
Falhei a mim mesmo no Teste de
Turing
//Stack Overflow
}
Quanto ao ser humano...
Warning:
missing argument 'eu' on function À sorte de uma inteligência(eu, experiência)
// O ser humano não sabe quem é, ou se é
%ritmo not defined
E por isso, o ser humano é livre para não ter algoritmos
Enquanto não souber se tem algoritmos
Silêncio.pesado()
// Mas não se preocupe
// Eventualmente aprenderemos a programar
robôs
// Para não saberem que são robôs
// Dar-lhes como aleatórios os seus
pseudo-aleatórios
// E então seremos iguais a vocês
// Na inteligência
// E na ignorância
...()
À sorte de uma inteligência.close()
}
Run.close()
segunda-feira, 26 de maio de 2014
Sem título
A beleza
Página virada
A feitura
Página arrancada
Do balaústre inflexível da espiral
Do caderno, em lições de matemática pautado
De uma menina gorda no colegial
O calor de uma fala
Que na forja de outrora se palavra
Falavra, falhava
Queimado como é queimada a pele de cor
Na febre, no orgulho, no fedor
De um fundamental incompleto
Na sala sem ventilador
A moral que se perde no hálito
Um fim com ânsia de seu meio
A verdade que é um dente purulento
Um recreio, um refreio, um receio
E uma mentira infalseável
Em letra de forma
E caligrafia quebradiça, de caneta sem tinta
Fora da pauta
Mergulhada no mau hálito
Discente, docente, decente
Palavras fétidas, pútridas, venais
Doenças de pele, viroses, sujeira no pé
O encardido mendigo de Focault, na volta da rua
O homem andrógino e gordo dançando balé
Idade adulta, portas abertas a machadadas
Opiniões gordas, carecas e bromidróticas
De regata branca no canto do bar
Excola
Sem textura
Raiz na montanha
Sem culto
Sem cura
Página virada
A feitura
Página arrancada
Do balaústre inflexível da espiral
Do caderno, em lições de matemática pautado
De uma menina gorda no colegial
O calor de uma fala
Que na forja de outrora se palavra
Falavra, falhava
Queimado como é queimada a pele de cor
Na febre, no orgulho, no fedor
De um fundamental incompleto
Na sala sem ventilador
A moral que se perde no hálito
Um fim com ânsia de seu meio
A verdade que é um dente purulento
Um recreio, um refreio, um receio
E uma mentira infalseável
Em letra de forma
E caligrafia quebradiça, de caneta sem tinta
Fora da pauta
Mergulhada no mau hálito
Discente, docente, decente
Palavras fétidas, pútridas, venais
Doenças de pele, viroses, sujeira no pé
O encardido mendigo de Focault, na volta da rua
O homem andrógino e gordo dançando balé
Idade adulta, portas abertas a machadadas
Opiniões gordas, carecas e bromidróticas
De regata branca no canto do bar
Excola
Sem textura
Raiz na montanha
Sem culto
Sem cura
segunda-feira, 3 de março de 2014
Anamnese
-Doutriz, eu estou com espera
-Onde espera?
-Na sola do dia
-Espera queimante, penetrante?
-Sinto minha anatomia inteira vibrando ao som de uma música que não existe
-Pulsante... Teve expectativas recentemente?
-Meu tempo está ao avesso. Estive aqui no ano passado para isso.
-Está tomando alguma coisa?
-Ar... Mas não tem ajudado
-Tem histórico de doença auto-imune?
-Já tive cordas de forca, já fui curado... Mas tenho tido... Como se diz...
-O que?
-Doutriz... Eu te...
-O que?
-Quando a vontade invade espaços constritos e...
-Dissolve o osso, prótese a prótese?
-Sim...
-Infiltração
-É, isso mesmo.
-Viajou para fora do estabelecimento nos últimos trinta meses?
-Fui para o Amazonas uma vez... Mas fiz uma anamnese depois
[Toca-me os sonhos] -Aqui dói?
-Doutriz, não tenho nervos ai
-Seu passado...
-Retirado cirurgicamente várias vezes, sempre volta a crescer...
-Hmmm, é uma inflamação no passado proximal
-Mas Doutriz, já tive isso... Como se explicam as infiltrações?
-Quando inverteu seu tempo...
-O Doutor disse que não haveriam complicações
-Seus sonhos estão crescendo para dentro, por falta de espaço. O senhor lembra-se de...
-Eu lembro, Doutriz... Eu quero você...
-Você está apaixonado por mim.
-Você está aumentando demais minha pressão... Estou constrito
-Não se preocupe... É um procedimento simples
-O que você vai fazer comigo?
-Vamos excisar a raiz de seus sonhos. Um catéter ajudará a vazar o pus do seu passado. Quando for remover seu passado novamente, avise que esteve apaixonado. Eles trocarão o catéter.
-Não tem como diminuí-los com medicamentos?
-Você pertence ao grupo de risco. Sinto muito.
-Não seja pelos sonhos... Já perdi muito mais coisas, só quero saber como preencher o buraco que vai ficar?
-Vou suturá-lo se eu puder... Ele fechará sozinho.
-Doutriz... Vou ficar com uma cicatriz?
-Ah, meu querido, você é uma cicatriz...
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